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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A vida sem Markola

 Eu sentia como se não fosse digno de minha parte me desfazer do bar. Era o sonho do Mark.
 Mas eu não conseguia ficar lá dentro sem me embebedar até esquecer do meu maior, melhor e único amigo.
 O cara era o único que me fazia rir enquanto me criticava. Ele tinha o hábito de fazer palhaçada e me animar mesmo nos momentos mais difíceis.
 Agora, quando eu caía atras do balcão do bar, com as portas fechadas e o som no máximo volume, eu não podia lhe telefonar pra guiar meu carro e me esconder em sua casa pra que minha mulher não me visse bêbado.
 Primeiro a Clarice, minha irmã favorita, minha cúmplice, depois Liza, a única mulher que amei nessa vida e agora Mark, meu braço direito.
 Foram dias difíceis sem o tufo verde pra me encher o saco porque o Santos nunca vence o Palmeiras, sem o cara pra me roubar no Poker, sem ninguém pra beber meus Wiskys importados e não me dar nenhum copo.
 Decidi que não entraria mais no Crazy Space. Coloquei meia dúzias de funcionários pra trabalhar por mim, e assumi a administração da academia de musculação de meus sobrinhos.
 Eu passava as horas vagas com minha filha, ensinando coisas como andar e comer sem destruir minha cozinha.
 Junior, começou aulas de futebol no time das Lhamas e eu me distraia levando canetas e tomando gols dele no quintal.
 Eu nunca me vi tão bohemio quanto nesses dias.
 Minha mulher não ousava me criticar por isso, estava solidária pela minha perda, mas eu sabia que ela não gostava.
 Nesse meio tempo, recebi uma postagem de meu pai dizendo que tinha um novo membro na família Cage.
 Kátia, (sim, Kátia) havia dado a luz um menino chamado Claudio.
 Eu só pensei: E eu só fico sabendo depois que nasce? Foda-se, meu amigo morreu!
 As lembranças de Mark não me deixavam em paz, e pensar nisso me faz querer beber. Com licença.

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