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domingo, 26 de agosto de 2012

Revivendo paixões

- Mark, caraio, a Liza vai vir aqui as oito horas ! Levanta do meu sofá e tira esse cinzeiro da minha sala de visitas !
- Porra Nick, não se acorda um homem que dorme !
- Vai dormir na sua casa por favor !
- Não dá pra dormir lá...
- Que ? Porque ?
- Minha muié tá gravida, fica reclamando ...
- QUE ? VOCÊ VAI SER PAI DE NOVO ?
- Não te contei ?
- Não !
- Então foi isso que vim fazer aqui hoje... Ela tá gravida véi, de um menino !
- Porra ! Parabéns véi !
- Valeu cara, mas eu não gosto dela, só quero saber do meu filho, depois ela pode desaparecer que eu nem ligo, mas ele vai ficar comigo, já ta tudo certo.
- Pode crer, mais um joker em ! Foda ! Agora some da minha casa !
- Não quero ficar em casa brow...
- Então vai pra um hotel, qualquer coisa !
- Vou pro bar !
- Isso, vai lá pro Crazy, só não bebe tudo, e tenta não dormir atrás do balcão.

Preparei um dos meus pratos favoritos "camarão na moranga", e depois me lembrei bem de comprar um pote gigante de sorvete de chocolate com pedaços de chocolate suíço que era o favorito da Liza ! Pelo menos até onde eu me lembrava...
As oito e meia ela chegou, foi o atraso mais tenso da minha vida (tirando os atrasos de menstruação de algumas garotas com quem eu saia. )

- Você está linda ...
- Obrigada.
- Bom, entre. Quer tomar algumas coisa ?
- Um vinho ...

Durante o jantar conversamos sobre tudo, menos sobre o verdadeiro motivo dela estar ali comigo.

- Bom, você deve estar se perguntando porque te fiz preparar um jantar...
- Estou
- Então, Juanes tem falado muito de você quase todas as vezes que eu ligo.
- Eu juro que posso explicar sobre o entre e sai de mulher daqui de casa !
- Não, ele tem falado muito bem de você...  E isso me fez lembrar de como você sempre me fez muito feliz. Claro que já faz anos, sei que você deve ter seguido sua vida, sequer pensa mais em mim, ou na gente...
- Não existe nada que eu pense mais ! Eu amo você Liza! Amo mesmo ! Esperei por você durante todos esses anos, até quando você estava morta, eu jamais deixei de te esperar.


Ela se inclinou e eu a beijei.
E tudo fluiu com perfeição, como se fosse a primeira vez.

Um mês depois ...

- Juanes, você se importaria em estudar em uma escola particular ?
- Na verdade não.
- Então, porque eu estava pensando em te matricular na escola da Clarice, já que vocês se deram tão bem.
- Ótima ideia!
- Vocês só não ficar na mesma sala, porque é o ultimo ano da Clarice.
- Tudo bem.

Assim eu fiz, conversei com o diretor e o matriculei em uma das melhores escolas de Villa Verona.
Um mês depois recebi um telefonema de Liza.

- Nicolas, eu posso passar na sua casa hoje a noite ?
- O Juanes não vai estar, ele vai dormir na casa de um amigo.
- É, eu sei disso...
- Então ?
- Eu queria conversar com você, sei lá.
- Ah, claro ! Pode vir ! Vou preparar um jantar, tudo bem para você ?
- Tudo bem... vou contratar uma babá para tomar conta da Harquimedes e umas oito horas eu chego ai.

Será que estava acontecendo alguma coisa ?
Ou ela simplesmente, de uma hora para a outra, queria passar umas horas comigo ?

Viagem de família

Uma semana depois, Juanes e eu estávamos muito próximos, e naquele final de semana iria lhe apresentar minha filha. Confesso que fiquei um pouco apreensivo com isso, não pelo garoto, mas pela Clarice que não deixava passar nada ! Eu não acharia nada estranho se ela flertasse com ele a viagem toda.

Nicolas - Essa é minha filha Clarice e filha esse é o Juanes.
Clarice - E ai cara !
Juanes - E ai !
Nicolas - E ai, estão prontos para cair na estrada ?
Ambos - OPAAA !
Nicolas - Demoro ! Juanes, telefona para a sua mãe e diz que estamos saindo agora.
Juanes - Ok, espera ai então.

Juanes foi até o quarto telefonar para mãe e nós ficamos na calçada esperando.

- E ai pai... qual é a dele ?
- Qual é a dele nada ! Esse garoto é seu irmão !
- Você teve um filho com a Liza ?
- Agora eu tenho, e você vai ficar longe dele, tá me ouvindo ?
- Tá bom pai ... Aff. E pra onde a gente vai ?
- Para o campo...
- O campo ??! Nossa pai, é mó chato lá, queria ir pra praia.
- Culpa da sua mãe que não deixou eu te levar para a praia.

Juanes voltou, tranquei a casa e seguimos viagem.
Chegando a minha casa de campo, liguei para uma velha amiga e marquei um encontro para mais tarde. É, eu sei que era uma viagem de família e eu iria ficar com eles, mas uma hora eles teriam que dormir, e eu ? Bom, eu ia sair a caça !
Fizemos uma fogueira, cantamos músicas bregas, tostamos marshmallow, contamos histórias e finalmente eles bocejaram de sono.
Montamos uma barraca (porque mesmo com camas extremamente confortáveis dentro da casa eles quiseram dormir no quintal) e os dois foram dormir, em barracas diferentes, porque não confio muito na Clarice sobre essas coisas.

Tomei um longo banho e fui para o meu encontro.
Voltei para casa as seis da manhã e senti o cheiro bom de panquecas.

Nicolas - PANQUECAS *-*
Clarice - Estão uma delicia, o Juanes que fez !
Juanes - Quer umas ?
Nicolas - Claro ! Com bastante mel !
Juanes - Pega ai ó.
Clarice - Escuta... onde você tava senhor Nicolas Cage ?
Nicolas - Fui ver uma velha amiga.
Clarice - E sua amiga tem um cachorro feroz ?
Nicolas - Porque ?
Clarice - Esses arranhões e mordidas ai são o que ? KKKKKKKKKKKKKKKKKK'
Juanes - kkkkkkkkkkkk
Nicolas - Se sabe, porque pergunta ?hahaha
Clarice - Pra ver se mesmo depois de 17 anos você vai continuar fingindo que não é um canalha mulherengo.
Nicolas - Não sou um canalha, eu sempre deixo claro que não quero um relacionamento sério, mas elas não
resistem aos meus encantos mesmo assim.

O final de semana passou rapido até demais !
Mas foi um dos melhores para mim... Bom tive melhores, mas estava tentando ser um pai amoroso agora. Enfim, Clarice e Juanes se deram muito bem, estavam agindo como irmãos, para a minha surpresa. Uma grande amizade com certeza iria surgir ali, então pensei em colocar os dois na mesma escola.

sábado, 25 de agosto de 2012

Religião da Boemia

Colamos o ultimo poster na parede e abrimos uma cerveja. Ah, ele bebia, e que culpa tenho eu ?
Os adolescentes bebem, lembram da minha adolescência ? kkkk'

- O que achou da casa ?
- Enorme !
- HAHAHAH
- E o que tem naquela sala ?
- Ali ? É meu santuário !
- Você é religioso ?
- Claro que sou ! Venha ver...

Quando abri a porta luzes de variadas cores brilharam nos olhos de Juanes. Uma mesa de poker, talhada em madeira, um bar todo trabalhado e um acervo de bebidas de primeira linha.

- Sou adepto da RELIGIÃO DA BOEMIA  !!!
- uaaaaaaaaaaaal ! Puts, que foda ! É como estar em Las Vegas !
- Já esteve em Las Vegas ?
- Não, mas deve ser assim !
- HAHAHHA, Las Vegas é muito melhor ! Um dia vou te levar pra lá comigo ! Basta só você ter idade para entrar num cassino. Alias, sabe jogar poker ?
- Sei, mas não muito bem.
- A isso é questão de pratica. Vou ligar para o Mark e vamos jogar !

Quando Mark chegou em casa Juanes parecia ter encontrado seu herói, como se ele fosse o cara que Juanes queria ser. Mark adorou o menino, como se já se conhecessem a anos ! Embora Mark seja um cara que se dê bem com praticamente todo mundo...

Juanes

No dia seguinte, como combinado, estacionei meu camaro preto na frente da casa de Liza, e esperei que ela saísse.

- Obrigada por vir Nick...
- Combinado é combinado, e também minha casa está meio vazia agora que a Clarice está morando com a mãe...

Cinco minutos depois Juanes aparece na porta. Quando bati o olho nele pensei "vai ser foda". O guri tinha o cabelo vermelho, curto nas laterais e uma longa franja jogada no rosto, olhos pretos e roupas tão escuras quanto.

- Oi Juanes, já deve saber quem eu sou, né ?
- Sei mais do que você imagina ...
- HAHAHA, então, pegou suas coisas ?
- Sim, está tudo aqui.

Era apenas uma mala.

- Bom, vamos indo então, ainda vamos ter que passar no centro comprar alguns moveis e algumas coisas. E a casa esta uma bagunça com os pintores e tudo mais.
- Pintores ?
- É, você não quer um quarto rosa, quer ?
- Não! Mas porque ?
- O quarto era da minha filha, mas a gente conversa no caminho. Até mais Liza.
- Até... Se comporte filho, e lembre-se que é para o seu bem.
- Ta certo mãe...

No caminho fomos conversando sobre a vida daqui adiante, dos sonhos que ele tinha, essas coisas. Eu podia jurar que ele queria ter uma banda ou um estúdio de tatuagem, mas para a minha surpresa o maior sonho dele era ser general do exército.

- Jura ? Exercito ?
- Sim, não sei porque, mas é o que quero fazer da minha vida.
- Isso é legal ! O irmão na mãe do meu filho, Juliano Pulcro, tinha uma base do exército na minha antiga cidade. Sempre recrutava adolescentes, adultos, crianças etc.
- Foda. É, um dia ainda vou comandar uma base. Mas e ai Nicolas, você é casado ?
- HAHAHAHAHA e depois você diz que sabe muito sobre mim.
- Minha mãe me disse algumas coisas...
- É, sua mãe não sabe o que eu andei fazendo depois que ela morreu. Quando ela voltou eu estava casado com a Marcela, mãe da minha filha Clarice.
- Então, o que você faz ?
- Não comenta nada com a sua mãe, ok ? Mas eu sou adepto do bom e velho sexo casual.
- Aquilo de "pego e não me apego" ?
- Basicamente.
- Entendi... Eu acho que não sirvo para isso. Quando eu encontrar a mulher certa eu quero me casar com ela, ter filhos e tudo mais.
- É, eu encontrei a mulher certa, me casei com ela e tudo mais ...
- Então porque você e a Marcela largaram ?
- Não, não é ela. Olha, essa loja vende umas coisas legais, vamos dar uma olhada, se gostar de alguma coisa me fale e a gente compra !

Fiquei com medo que ele tocasse no assunto, não queria mentir para o garoto, mas também não dava para dizer que era a mãe dele a mulher da minha vida, mas ele parecia tão entretido em comprar as coisas novas o seu quarto que parecia ter esquecido a conversa do carro.
Eu estava feliz, o garoto parecia ser bem legal, as aparências enganam!
Juanes era marrento, mas tinha o coração mole, me lembrava muito o Mark.
-

Como se fosse meu filho

Quase três meses depois de meu encontro inesperado com Liza, uma coisa ainda mais inesperada aconteceu.
No meio da noite ouvi alguém tocar a campainha, deixei minha "amiga" no quarto e sai para atender a porta apenas de roupão, quando abri me deparei com Liza, que me olhou dos pés a cabeça e constrangida pergunto:

- Estou atrapalhando ?
- Não ! Claro que não...
- É sério, eu posso voltar outra hora.
- Olha pra você ter vindo até aqui a essa hora deve ser algo importante, entre.

Fiquei sem saber o que fazer, minha casa estava arrumada, como gosto de mante-la sempre, mas tinha uma mulher nua na minha cama e eu estava ali, na frente da mulher que amava vestido com um roupão preto, sem saber o que fazer.

- Bom, preciso de um favor...
- Claro, é só pedir.
- Não estou conseguindo manter a Harquimedes e o Juanes.
- Precisa de dinheiro ?
- Não, não... Eu precisava que você passasse um tempo com o Juanes...
- Quer que seu filho venha morar comigo ?
- É por algum tempo apenas, até eu conseguir arrumar minha vida que está uma bagunça. Tem um bando de advogados lutando pela minha herança e processando a família do meu falecido marido. Além do mais ele não está conseguindo trabalhar e estudar, as notas estão caindo e ele até já me disse em deixar a escola para me ajudar. Mas não quero isso para ele.
- Hm... entendo. Bom, claro, sem problemas. Já cuidei de dois filhos, posso cuidar de mais um.
- Eu nem sei como te agradecer Nicolas!

Com os olhos marejados ela me abraçou forte, confesso que quase desabei, quase implorei para ela voltar comigo ali mesmo !
Ficou tudo certo para eu ir buscar Juanes no outro dia. Se ele viria morar comigo de bom grado, como saber ? Quem entende os adolescentes ? Mas eu cuidaria dele como se fosse meu filho, o filho que nunca tive com Liza.
Depois dessa visita sequer consegui continuar o que estava fazendo com a mulher no meu quarto. Inventei uma desculpa e a mandei para casa. 

A cabana

Um tempo se passou...
Não tentei manter contato com Liza, pois tinha certeza de que seria um erro dos grandes. Eu era apaixonado por ela, mesmo depois de tanto tempo e tantas coisas.
Como estava mais rico do que já havia sido resolvi fazer longas viagens pelo mundo !
Fui para todos os lugares, me aventurei pelo que de melhor a vida tinha a me oferecer.
Um dia meio cansado de cidades cheias de luzes, resolvi chamar meu bom e velho amigo Markola para irmos até uma cabana próxima a uma cidadezinha litorania.
Chegando ao local nos deparamos com escadarias enormes ! Até pensei em voltar para o hotel. Mas continuamos nosso caminho, até finalmente chegarmos a cabana.
Era pequena, com apenas um comodo e um banheiro, e estava toda quebrada.
Um nativo me pediu ajuda para conserta-la, como precisava de um lugar para ficar ajudei de bom grado. Agradecido ele me presenteou com uma boneca de vudu. Eu nunca acreditei nessas coisas, nunca, até aquele dia !

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

De novo ?

Um mês se passou e minha loja estava crescendo rapidamente.
Em um final de semana que Mark e eu fomos relaxar na praia surgiu um assunto antigo em meio a fumaça do cigarro de Mark.

Mark - Cara, outro dia tive a impressão de ter visto a Liza !
Nicolas - Minha Liza ?
Mark - É !
Nicolas - Você tá se drogando ? HAHAHAHAHAHA
Mark - Se não era ela, parecia muito !

Não dei muita bola para o que ele disse, já tínhamos bebido bastante. Só fui lembrar disso que Mark me disse quando estava fazendo compras no mercado e esbarrei em uma mulher de cabelos negros cumpridos presos em um rabo de cavalo. Era a cara de Liza ! Mas... será ?
A mulher segurava uma criança nos braços, que deveria ter uns dois anos, enquanto um garoto de uns quinze anos colocava umas coisas dentro de uma cesta.
Não resisti, tive que chamar, acho que não só chamei, acho que gritei, sei lá, só sei que o mercado todo parou para me olhar.

Nicolas - LIZA ?!

Mais surpreso ainda eu fiquei quando ela se virou para mim com cara de espanto, deixei uma garrafa de Whisky cair no chão.

Liza - Meu Deus ! Nicolas ?!
Nicolas - Si... Si... Sim.
Liza - Minha nossa ! Não imaginei que iria te encontrar aqui !
Nicolas - Eu menos, depois que você me fez terminar meu casamento e me abandonou !
Liza - Olha Nicolas, isso já faz muito tempo ...
Nicolas - Faz mesmo, faz muito tempo que eu tento ter noticias suas, só pra saber se você ta viva, se ta feliz !
Liza - Você está me fazendo passar vergonha na frente de todo mundo.
Nicolas - Tá, me desculpe... Eu estou muito surpreso. Que tal a gente sair para comer alguma coisa hoje a noite ?
Liza - Não posso sair, tenho uma filha pequena.
Nicolas - Claro, claro...
Liza - Olha, se você quiser pode ir em casa, anota meu telefone e a gente se fala pra eu te passar o endereço.
Nicolas - Claro.

Eu estava perplexo, era como se ela tivesse voltado a vida de novo. Para a minha vida...
Liguei para o Mark e contei o que tinha acontecido, o cara não ficou surpreso, apenas confirmou que realmente a tinha visto.
A noite fui até a casa de Liza, que ficava em um bairro bem humilde. Ela nunca foi rica, era verdade. Mas será que tinha engravidado de um pobretão ?

Liza - Olá Nicolas, entre. Essa é minha filha Harquimedes e meu filho Juanes. Sente-se.
Nicolas - Então... Por onde você esteve ?
Liza - Bom, eu fugi para uma cidade um pouco longe daqui, lá conheci o Jorge, um empresário. Acabamos nos casando e indo morar em Tokio, lá tive meus dois filhos, com ele. Mas a familia dele nunca gostou de mim. No verão passado Jorge faleceu em um trágico acidente de avião, e seus familiares tiraram toda a herança de mim e de meus filhos. Voltei para Bela Vista, para encontrar com a minha mãe, mas descobri que ela já havia falecido. Fiquei com medo de acabar te encontrando lá, e vim morar aqui em Vila Verona, e bom, aqui está você sentado no meu sofá.
Nicolas - Estou chocado.
Liza - Olha, me perdoa por ter fugido. Eu sei que você me amava muito e eu também te amava. Mas entenda meu lado, acordar depois de tanto tempo... Eu me desesperei, não conseguiria ficar com você, precisava descobrir como estava o mundo lá fora.
Nicolas - Tá, tudo certo. Mas e agora ? Você está conseguindo se virar sozinha ? Quer uma ajuda ?
Liza - Eu não quero seu dinheiro, vou ficar bem.
Nicolas - Bom, então, eu acho que vou para casa, mas qualquer coisa me ligue. É muita informação pra um dia só.

Crazy Party

Nos finais das férias escolares minha "querida" ex esposa bateu na porta da minha casa.

Nicolas - O que quer aqui ?
Marcela - Nossa filha, é claro.
Nicolas - Entre, ela está no quarto. Como vamos fazer ? Ela vem para cá nas férias, nos finais de semana ou eu vou ter que ir até Bela Vista a visitar ?
Marcela - Não será necessário, eu me mudei para cá.
Nicolas - Ah, não me diga ? E onde está o peão de rodeio ?
Marcela - Terminamos...
Nicolas - Eu ia dizer que sinto muito, mas eu não sinto.

Clarice foi embora com a mãe.
Então comecei a pesquisar na cidade pontos estratégicos para abrir um negócio, e percebi que qualquer lugar bombaria pois não havia muito o que fazer para aqueles lados. Só para ganhar confiança dos meus novos vizinhos e futuros clientes, investi em uma loja e artigos para decoração, a CRAZY PARTY. Venderíamos de tudo ali !
E eu poderia ensinar minha filha a arte de negociar !

terça-feira, 24 de julho de 2012

Villa Verona

Depois da morte da minha irmã recebi uma proposta de negócio em Villa Verona, uma cidade tradicional, como Veneza, por exemplo.
Vendi minhas empresas e meu apartamento e como minha filha Clarice estava de férias a levei comigo para me ajudar a arrumar minha nova casa.
Mark também se mudou, abriríamos uma filial do Crazy Space para agitar aquela pacata cidade.

Comprei uma casa bem grande numa localização longe de todos os conflitos da cidade, seja lá qual fosse a história daquela gente eu queria distância de tudo isso.
Depois da mudança alguns vizinhos vieram me dar as boas vindas, e Titânia Veranossonho levou isso bem a sério, se é que vocês me entendem.

Morte da caçula Cage

Fui convidado para uma festa na casa da minha irmã Margarety.
Meu cunhado havia morrido a um ano, mais ou menos e desde então estávamos muitos próximos.
Uma semana depois da festa recebi um telefonema do caseiro do sítio da minha irmã dizendo que ela havia falecido horas mais cedo no jardim da casa.
Fiquei muito triste, ela acabava de conseguir se tornar prefeita da cidade e estava levando uma vida tão saudável e eu que só sabia beber e transar estava vivo ainda, além do mais ela era minha irmã caçula... Mas todos sabíamos logo no enterro de Dolly que logo ela partiria também.
Nessas horas em que penso que a vida é muito injusta.

Todos abordo

Depois da publicação do meu segundo livro, que teve um sucesso tão grande quanto o primeiro, recebi uma nova proposta para abrir o meu próprio restaurante.
Era uma ótima ideia, sempre quis ter uma restaurante administrado inteiramente por mim, mas precisava de uma temática...
Não sabendo direito o que fazer fui tirar umas férias na praia e enquanto comia deliciosos camarões na moranga, com uma bela vista de frente par ao mar, no meu quarto no hotel mais caro, tive uma sensacional ideia.

Mark - Espera, você quer colocar mulheres semi nuas para servir comida em um restaurante com o tema do Havaí ?
Nicolas - Não só isso ! As melhores receitas da praia, os frutos do mar mais frescos, e lindas mulheres semi nuas...
Mark - Sei lá em ...

A ideia parecia ser absurda, mas foi muito bem recebida quando tudo ficou pronto.
Infelizmente para mim as esposas dos meus clientes chamaram meu estabelecimento fino de bordel, logo o apelido pegou e infelizmente para mim tive que fechar as portas do restaurante depois de dois meses pois não estava me rendendo quase nada.

Garfolheres

Assim abrimos uma loja no centro comercial de Bella Vista.
Todos os tipos de coisas para a cozinha, desde de liquidificadores até quadros e guardanapos rendados a mão.
Mark achou tudo isso tudo uma viadagem, mas ele podia falar o que quisesse, pois uma semana depois da inauguração eu já tinha inúmeras clientes que estavam enchendo meus bolsos.
Maravilha !
Tinha também duas lindíssimas funcionárias e nem preciso falar que fui para cama com elas, antes é claro de as contratar (e depois também, mas não vem ao caso). O problema foi que Cris descobriu essas minhas "andanças" e não quis nem ouvir minhas explicações (menos mal, pois eu não tinha nenhuma).
Com o coração partido mas com os bolsos cheios comecei a escrever um novo livro.

Da panela para a cama

Depois das festas de final de ano comecei a trabalhar no meu novo projeto.
Era um livro sobre vinhos e comidas que sempre levariam você a conquistar aquela pessoa que sempre quis.
Todas as receitas já tinham sido testas por mim, obviamente.
Depois de meses de trabalho final acabei de escreve-lo e meu livro foi logo publicado pela mais famosa editora da cidade.
Depois do lançamento de "Da panela para a cama" (que foi considerado o melhor livro de culinária dos últimos dez anos) recebi inúmeras propostas para ir em programas de Tv, cozinhar ao vivo e todas essas patifarias.
Mas a proposta mais interessante que recebi foi de um empresário que queria de todas as maneiras possível ser meu sócio em uma loja de produtos culinários.
O negócio parecia ser realmente bom, então porque não tentar ?

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Natal em família

Eu passa horas trabalhando no restaurante, quando não estava tocando violino.
Entrei para um grupo de música e não demorei muito para pegar a professora.
O Natal pareceu chegar muito cedo aquele ano...
Minha nova namorada, Cris, foi até o centro comprar os presentes comigo e até me ajudou a preparar a ceia. Meu filho Junior estava de férias depois de ganhar um campeonato nacional com o Lhamas, então veio passar as festas em minha casa. Minha filha Clarice apareceu com seu primeiro namorado em casa (primeiro que eu sabia pelo menos). Alias infelizmente minha filha parecia ter recebido todos os meus dons, se é que vocês me entendem, aquilo era um pesadelo.

Eu estava feliz de ver toda a família reunida para comemorar o natal... E estava feliz que Mark estava ali comigo sem aquela riponga. 

Mark - Cara, essa comida tá incrivel !
Nicolas - Eu sou chef de cozinha né...
Cris - Você já pensou em escrever um livro ?
Nicolas - Já sim, mas o Kama Sutra já foi escrito. HAHAHAHA"
Cris - Me refiro a um livro de culinária.
Clarice - E porque não faz melhor e reúne as duas coisas que você mais entende em um livro só ?
Nicolas - Sexo e culinária ? Até que não seria má ideia.

Na hora de dar os presentes entreguei para minha filha seu primeiro carro e ainda lhe escrevi em um curso de mecânica, já que ela gostava tanto. Para o meu filho dei minha casa, já que não iria voltar para lá mesmo.
E eles me deram gravatas (é ... vida de pai não é fácil).

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sua vida me fez esquecer minha vida.

 Eu me senti enganado pela vida.
 Terminei meu casamento de oito anos pra ficar com o amor da minha vida, e ela fugiu.
 Hoje eu entendo seus motivos.
 Imagine-se acordado depois de anos, o mundo tem outra cara, as pessoas são diferentes, a tecnologia, a cidade, o país. Você descobre que muitas pessoas morreram, você percebe que está perdido.
 Agora imagine-se tendo reencontrado o amor de sua vida, e ela vai embora sem te dar chances de dizer mais que um olá.
 Dessa vez eu decidi não surtar. Toda a minha vida passei tendo surtos psicóticos e não obtive lucros. Então, foda-se, pensei, vou tocar a vida.
 Com o divórcio, o Juizado decidiu que minha filha ficaria com a mãe e eu teria direito de visita-la quando bem entendesse.
 Nesse mesmo período, Marcela reencontrou o amor da vida dela também (irônico, não?).
 Ródeo, um fazendeiro do interior, dono de cabeças de gado e terras. Ela namorou com ele na adolescência e eles se separaram por que Ródeo foi para outro país disputar torneios de montaria.
 Minha filha com a mãe, meu filho no exterior e meu cachorro morto. Aquela casa me parecia inútil e cheia de recordações que eu não precisava.
 Assim, fomos Mark e eu morar num condomínio novo da cidade.
 Pessoas novas, mulheres que eu ainda não tinha pegado, meu amigo e eu vizinhos e ninguém pra nos dizer o que fazer.
 Foi uma época de ligar o Foda-se mesmo, eramos felizes, eramos bêbados. Jogar, beber, comer, flertar. Era nossa rotina. E de que mais um homem precisa?
 Conhecemos, inclusive, um cara de quem não posso deixar de citar.
 Severo Prince Snape. Um cara sinistro, do mal, mas gente boa depois que se conhece.
 Ele era nosso vizinho. Usava uma capa, um cabelo ensebado e vivia fazendo chover. (é, o cara era sinistro).
 Uma vez o Mark foi até a casa dele, (eu nunca me atrevi), e voltou dizendo que tinha livros de bruxarias, um caldeirão sinistro e coisas do tipo.
 Certamente o Mark devia estar mais bebado que de costume.
 Foi uma época feliz.
 Foi feliz até que o Mark decidiu se casar,
 Sei não, mas acho que ele foi enfeitiçado.
 Certo dia ele apareceu com uma hippie e os dois começaram a morar juntos e a vender os móveis.
 Colocaram uma placa de "vende-se tudo" na porta do Ap e vendeu tudo mesmo.
Televisão, rádio, sua guitarra, roupas, discos, e quando não havia mais nada pra vender, começou a vender flores.
 Sim, acredite. Bom, eu nunca acreditei de verdade...
 O cara perdeu tudo, porque o dinheiro das flores, obviamente, não dava pra pagar as contas e a dona moça não deixava ele trabalhar.
 É isso que faz um bom chá de cogumelos e uma mulher mais louca que o efeito dele.
 Bom, essa história me fez desviar a atenção da minha vida, que estava na realidade caótica.
 Depois de um tempo, sem dinheiro, o Mark acordou pra vida e largou da moça das flores, voltando assim a trabalhar e recuperando as coisas que perdeu.

A família Ahu, por baixo dos panos.

 Eu nunca fiz questão de ter nenhum tipo de contato com minha família.
 Minha mãe era uma cobra, e meu pai, por mais que nós nos dessemos bem, estava sempre do lado dela, por mais errada que ela estivesse.
 Meus irmãos, viviam num mundo diferente do que eu, quando tinha a idade deles.
 Minha mãe dava, descaradamente, preferencia ao João Marcos, deixando assim, Maria Fernanda mais livre.
 Sempre tivemos um bom relacionamento ela e eu.
 Quando eu estava na cidade, sempre a visitava e saiamos dar um rolê por aí.
 Meu irmão, por outro lado, fazia pouco caso das minhas visitas e de minha pessoa influenciado por minha mãe.
 Na adolescência, Maria Fernanda passava temporadas em minha casa, ela fez uma grande amizade com Jim Root, e viviam saindo juntas.
 Aos quinze anos, Fer me procurou no bar, e me disse que precisava muito conversar.
 Levei-a até o escritório e a ouvi.
 Ela me confessou sua, totalmente visível, homossexualidade.
 Eu a apoiei, e lhe instrui a não contar de imediato aos nossos pais. Lhe disse que a escolha era dela, e eles não tinham que saber, de certo que mamãe não aceitaria e papai acataria qualquer absurdo que ela decidisse.
 Os anos passaram, e João Marcos se casou com a então prefeita da cidade Ana Júlia, fazendo com que minha mãe se tornasse ainda mais insuportável e mesquinha.
 Ambos com dezoito anos, Marcos casado e Maria Fernanda ingressando na faculdade, minha mãe começou a pressioná-la a respeito de namorados e casamentos.
 Ela se peguntava o porque Maria Fernanda nunca havia levado um namorado para conhece-la e passou a arrumar pretendentes para ela.
 O que minha mãe não sabia era que dois anos antes da faculdade Fernanda havia conhecido Beatriz e namoravam as escondidas desde então.
 Soube depois, que num jantar de família (do qual não fui convidado), nossa mãe convidou um primo de Ana Júlia para conhece-la, e isso a irritou ao ponto de confessar aos berros seu verdadeiro eu.
 Meu pai, decerto, ficou neutro na situação, dando apenas apoio para que Fernanda comprasse uma casa, já que minha mãe a expulsou.
 Minha irmã então se casou com Beatriz.
 Ambas faziam faculdade e então montaram um pequeno negócio para poderem viver.
 Eu ajudava como podia, inclusive numa coisa considerada loucura por muitos.
 Já fazia quase dois anos que elas estavam casadas, inclusive de papel passado, e tentavam adotar uma criança.
 Como meu irmão era casado com a prefeita e minha mãe abominava essa relação ele sempre deu um jeito de não permitir a adoção.
 Um belo dia, minha irmã me telefonou e me pediu pra ir até sua casa.
 Depois de muitos rodeios ela finalmente me disse o motivo do convite.
 Elas queriam tentar uma inseminação artificial, mas não conheciam nenhum doador que se aproximasse fisicamente com minha irmã.
 Depois de alguns dias pensando, eu aceitei de bom grado fazer minha irmã feliz.
 Sua companheira Beatriz foi quem recebeu o esperma e nove meses depois nascia mais um Ahu no mundo.
 Algum tempo depois foi um primo de Beatriz quem doou o esperma para Maria Fernanda, afim de que tivessem mais um filho.
 Depois disso minha mãe nunca mais permitiu que Maria ou eu entrássemos em sua casa.
 Ela nunca conheceu os netos e nos retirou de seu testamento.
 Quando ela morreu, meu pai pode finalmente conviver com seus filhos e seus netos, de quem era proibido pela minha mãe. Ele viveu apenas quatro anos a mais que ela, mas foi suficiente pra recuperar um pouco do tempo que perdeu.
 Meu irmão vive até hoje à sombra da mulher e minha irmã agora viúva de Beatriz, que morreu num acidente de moto à dois anos, cuida dos filhos e é dona da maior rede de salões de beleza do país.

Eu só pude dizer "oi"

Minha sogra foi embora mas deixou no lugar a maldição da bruxa.
Ela entrou na minha casa e fez a minha mulher acreditar que eu não era um bom marido.
Marcela acatou os pensamentos da mãe de forma que começou a dizer coisas como; Você não me dá atenção. Gosta mais do Whisky do que de mim. porque não se casa com o Mark ? Acho que você está me traindo. Quando você vai crescer ? E por fim, vou embora dessa casa, você está sugando a minha vida, eu preciso viver!
Ela não foi embora mas eu me cansei da situação e acabei sedento ao meu instinto galinha, juntei ao Mark nas buscas por prazer sem compromisso.



Marcela estava realmente louca, ela passou a desconfiar de tudo e investigar a minha vida.
Hoje eu sei que num certo dia o laboratório de pesquisas 04:04 me enviou uma correspondência importantíssima que ela escondeu de mim.
Tratava-se de um comunicado alegando que logo que Liza morreu meu pai deu inicio a recuperação de sua vida, como aconteceu com Mark.
Até então eu pensava que pelo tempo que ela havia morrido não existia possibilidade de recuperação pois o seu corpo não existia mais, o que eu não sabia é que o meu pai passou todo o tempo me dar o melhor presente que eu poderia ganhar na vida, quando chegou essa carta meu pai havia morrido á quatro meses, e eu nem me importei com sua morte.
Alguns meses se passaram sem que eu soubesse de nada, eu recebi um telefonema do Mark.
Lembro exatamente de suas palavras: " Tem alguém aqui que você precisa ver. "
Eu nem imaginava do que se tratava, pra mim o Mark estava com uma nova "amiguinha".
Quando eu cheguei em sua casa entrei, como de costume, sem avisar e quando olhei no sofá fiquei sem chão.
Ela estava ali, como a tinha deixado em nossa casa para trabalhar no dia em que ela morreu. Eu a podia ver, mas não sabia se era real.
Eu pensei: estou bebado !
Mil coisas passaram na minha cabeça, e eu só pude dizer "oi".

A sogra

Depois da volta do meu melhor amigo das cinzas e de sua separação, voltei a frequentar o bar, tendo de dividir minha vida entre tantas coisas que de vez enquanto uma das partes ficava totalmente insatisfeita.
Combinei com o Mark de que eu apenas passaria no bar para ver a renda, e pagar os funcionários, além de cuidar do lado burocrático que ele sempre odiou, mas não poderia ficar a tarde toda lá atendendo clientes como fazia antes do casamento e dos filhos.
No começo dividir tudo era complicado.
Minha mulher vivia reclamando que não dava mais atenção para ela, e as brigas entre nós dois tornaram-se frequentes.
 E quando eu menos percebi Junior tinha dezenove anos e estava saindo de casa para jogar num time de fora.
Clarice estava completando seus sete anos quando recebi uma surpresa mais do que inesperada.

 - Mamãe !
Ouvi Marcela gritar na porta da frente.
Só podia ser brincadeira, pelo menos eu estava rezando para que fosse.
 - Filha !
 - Eu não sabia que a senhora viria nos visitar ! Amor, venha cá, mamãe veio nos fazer uma surpresa. Não é ótimo ?
 - É, nós não sabíamos que você vinha ...
 - Esse é seu marido filha ? Quando me disse pelo telefone achei que era algo melhor ...
 - Mamãe !
 - Muito gentil da sua parte. Será que o cachorro não vai se importar de dividir a casinha com você ?
 - Nicolas !
 - Eu só vim para ver a minha neta.
 - Tem uma foto ali, você pode olhar e ir embora.

Infelizmente para mim nem toda a minha hostilidade foi capaz de trancafiar o demônio de novo no inferno ...
Por semanas aquela bruxa ficou aterrorizando minha vida. Dizia que eu era um péssimo chef de cozinha, e ousou se intrometer na minha cozinha para fazer seus "biscoitos douradinhos". Nem preciso falar que as brigas entre minha esposa e eu só aumentaram.
Mas por algum motivo (que até hoje não compreendo) Clarice adorava aquela velha.

Enfim, depois de passar semanas sendo zuado pelo Markola, a cobra decidiu ir embora.
Fiquei realmente decepcionado quando descobri que não era pra caverna, mas sim para uma outra casa a poucos minutos de casa.

Ele voltou mais louco da morte? Oo'

 Era uma manhã normal, daquelas em que se quer morrer e não levantar da cama nunca mais.
 A Marcela estava na cozinha,  meus filhos gritavam como se fosse 3 da tarde.
 Levantei, esfreguei os olhos, olhei o relógio, (quis matá-lo) e me arrastei até o banheiro.
 Pronto, ouvi minha mulher dizendo algo como: "o pai de vocês está atrasado de novo pro café".
 Disse bom dia pra todos, um por um cumprimentando-os e fui ligeiramente interrompido pelo telefone.
 Minha mulher parecia apreensiva, olhava pra mim, rabiscava algo no bloco de anotações, falava baixo como se estivesse pensando com a boca.
 Eu peguei meu jornal, folheei até as páginas de Gastronomia, me servi do café, mas não conseguia desviar a a atenção daquela conversa estranha.
 Meu cachorro, como de costume, pulou no meu colo, lambendo toda a minha cara e sugando o café doce da minha boca, meu filho me chamava a atenção, provavelmente pra pedir dinheiro, Clarice jogava comida por toda a cozinha e ria alto.
 Enquanto eu empurrava meu cachorro, salvava Clarice do dilúvio de papinha e puxava a carteira pra atender Junior, vi do corredor Marcela acenando e me chamando pra perto dela.
 Ela desligou o telefone, e entramos no quarto, salvos da terceira guerra mundial na minha cozinha.
 De um súbito, Marcela me diz: Seu amigo está vivo.
 Eu não entendi muito bem e a mandei repetir, gentilmente como: Tá ficando louca?
 - Se lembra que vimos no jornal uma matéria sobre um homem que a família pagou pros cientistas ressuscitarem? Sobre o DNA e mais umas coisas que não lembro?
 Afirmei com a cabeça e a fiz prosseguir.
 - Mark é esse homem!
 - Oh senhor do Whisky ! Você tá falando sério?
 - Tão sério quanto poderia.

 Não falei mais nada, não perguntei nada. Se Mark estava vivo, eu sabia onde encontra-lo.
 Deixei minha família em casa e corri para a casa de Guita.
 
 Jim correu abrir a porta, eu nunca a ví tão feliz. Ela me abraçou e disse: Ele voltou, tio!
 Quando o vi, acho que foi quando caiu a minha ficha. O cara estava morto até ontem. Será que é gelado?

 A cena foi inacreditável. Mark estava no sofá, com seu filho James no colo, sua filha Hinnata do lado, um copo de Vódka na mão e sua mulher em pé, observando.

 Apreensivo, me certifiquei de que ele tinha consciência do ocorrido.
 Abracei o mano, e fiquei com eles o resto da tarde.
 Por fim, todos nós o tratamos como se tivesse chegado daquela viagem e apesar dos médicos afirmarem com toda a certeza de que ele se recorda de tudo, nunca tocamos no assunto.

 Naquela noite decidimos comemorar. Fomos todos ao restaurante, minha familia e a dele, e na volta deixei Marcela e as crianças em casa e voltei para a casa do Mark com eles.
 Bebemos, jogamos, conversamos, bebemos mais, e ficamos mais pra lá do que pra cá.
 A conversa chegou em Liza, (eu me perguntava se poderia fazer o mesmo com o corpo dela), e em nossas vidas.
 Mark chegou a conclusão de que não era mais um homem feliz em seu casamento e decidiu contar para Guita.
 Ele se levantou, caminhou até a porta e gritou: Guita, quero divórcio!
 Voltou pra mesa e se serviu de mais Vodka, como se nada tivesse acontecido.
 Eu me perguntei se ele tinha voltado mais louco da morte, pois, minutos depois, seu filho James apareceu na porta chorando.
 O resto da noite foi uma comoção de filhos sem fim.
 Eu decidi levar as crianças pra minha casa e deixar que os dois se acertassem sozinhos.

 No dia seguinte Mark se muda para uma casa no centro e dá entrada no divórcio.